Como pode um quadro, um retábulo, uma música ou um espectáculo desenvolver o nosso conhecimento?



Admirar obras de arte é uma forma de compreender melhor o que os indivíduos produzem, e a realidade que narram. Segundo Goodman “Dom Quixote, tomado literalmente, não se aplica a ninguém, mas tomado figurativamente, aplica-se a muitos de nós”. Por isso, “ perguntar se uma pessoa é um Dom Quixote (quixotesca) ou um Dom Juan é uma questão tão genuína como perguntar se uma pessoa é paranóide ou esquizofrénica, é mais fácil de decidir”.
A arte opera de forma simbólica, não exacta e alegórica. Para melhor compreender as manifestações humanas, os historiadores e sociólogos preocupam-se pela arte de uma determinada época ou cultura.

Este blogue tem por objectivo dar a entender esta interacção entre a arte e o conhecimento, e de que forma as ostentações humanas repercutem-se ao longo dos anos e séculos.
O ponto de partida deste espaço, são os Séculos XVII e XVIII, nomeadamente pretende-se abordar a vida de uma corte, rodeada de riquezas, luxos, extravagâncias e exibições, e a repercussão estética-ideológica que esta deixou como herança nas gerações vindouras. Pretende-se assim analisar globalmente a antícope deixada por este movimento desde o seu apogeu até as réstias que se podem encontrar deste nos dias de hoje, tentando assim elaborar um paralelismo ideologicamente estético desde que surgiu o movimento social em si, até à nossa actualidade.

ESPECTÁCULO - A Companhia, La Fura Dels Baus

La Fura dels Baus foi criado em 1979 em Barcelona, capital da Catalunha, autonomia histórica de Espanha. O grupo nasce entre o desbunde da transição democrática após a morte do ditador Franco em 1975 e a ressaca do desencanto com a lentidão e ausência de transformações, fazendo parte do posterior vigor da movida madrilena e do investimento massivo em arte e cultura como vitrine para a ambicionada entrada na Comunidade Européia, e do incremento de mudanças estruturais no país com a eleição de Felipe González, do Partido Social Obrero Español (PSOE).

Nesse solo histórico sintetizado ao extremo, La Fura passa por uma fase inicial de quatro anos de teatro em ruas, praças e poblets da nação catalã, que por sua vez passa por intenso processo de normalização linguística e de resgate da identidade catalã. Neste primeiro período, firma-se uma composição estável de nove homens, que serão responsáveis pelo salto artisticamente interdisciplinar que o grupo realiza com Accions: Alteraciò Física d’un Espai em 1983/1984, apresentado até 1987 em diversos países da Europa e na Argentina.

Accions mescla elementos estéticos de concertos de rock e de performance arte com festas populares catalãs e espanholas, com um resultado artisticamente interdisciplinar realizado – de maneira claustrofóbica para muitos e muitas – em instalações fora de teatros convencionais, onde actuantes, espectadores, palco, plateia, obra, recepção, sujeito e objecto se misturam fisicamente e espacialmente em performances simultâneas e cambiantes. Accions detona enorme visibilidade crítica e pública internacional que o grupo mantém na década de 1980 e a amplia planetariamente com a mega-performance Mar Mediterrània, na cerimonia de abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992. O grupo deixa de ser tachado de punk, anarquista e/ou enfant terribles para ser reverenciado como uma companhia profissional de competência ímpar para uns e uma famigerada marca multinacional para outros.

A poética interdisciplinar do La Fura continua a desdobrar-se em incursões em diferentes campos como publicidade, cinema, criações na internet, ópera, eventos públicos e interlinguagens, seja em um navio cargueiro, em cavernas pré-históricas ou, desde 1996, também em teatros convencionais, com plateia separada da acção no palco.

Texto retirado : http://br.geocities.com/coma_arte/2005/anpap/fe_villar.doc


Don Quijote, La fura dels Baus (2000)


Trata-se de um espectáculo sobremaneira barroco, este facto é salientado pelo espaço escolhido para a sua representação, o Liceu Òpera Barcelona e pelo argumento da obra literária. Trata-se de uma viagem no tempo, em que os fantasmas de D. Quixote aparecem transfigurados e deformados pelas épocas e pelo distinto olhar que o universo dedica ao mito.



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